segunda-feira, 28 de junho de 2010

Eu sou egoísta

É, é verdade, eu sou egoísta... egoísta demais para amar alguém além de mim. Ela um dia me disse isso, esbravejei e quis brigar, mas hoje posso ver... ela estava certa.
Não consigo me dedicar a alguém além de mim e deve ser por isso que também não faço falta as pessoas com quem já convivi.
Se eu fosse você, me afastaria de mim.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O cheiro do ralo

...
- Senta ai, é uma história comprida e eu vou tentar resumir pra você. Lá onde eu trabalho tem um banheirinho e eu tive um problema la com o ralo, começou a vir um cheiro ruim, um cheiro muito ruim. Eu comecei a ficar nervoso, irritado. Ai eu acho que comecei a descontar nas pessoas, na minha vida, sei lá.
- Por uqe o senhor não mandou consertar?
- Fui deixando passar.
- A vida é assim mesmo Seu Lourenço, a gente vai deixando as "coisa passa" e elas vão crescendo. No começo a gente não quer brigar porque é coisa poca né. Mas ai vai crescendo, crescendo... Que nem panela de pressão, uma hora explode.
- É isso mesmo... Quando eu comecei a trabalhar eu tinha que ser forte eu tinha que ser frio. Porque eu compro as coisas das pessoas e eu tinha que oferecer um valor bem baixo pra poder ter lucro. Mas no começo eu tinha pena das pessoas, mas eu não podia ter pena, se não eu não ia chegar onde eu cheguei. Ai eu comecei a ficar frio, cada vez mais frio, fui ficando cada vez mais frio.
- E o que o Senhor ganhou com isso sendo frio desse jeito?
- Não sei.
- É... Isso deve ser triste.
- Não sei se triste é a palavra certa.
- O Senhor quer mais um café?
- O Luzinete, eu vou aceitar viu.
- O Lourenço, aproveitar que a gente ta aqui conversando, tem oito anos que eu trabalho pro Senhor. Meu nome não é Luzinete não, é Josina.
...
(trecho do filme "O cheiro do ralo")

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ébrio (continuação)

...ele apenas se perguntava: "Quantas doses mais seriam necessárias para que ele a esquecesse??" Talvez essa pergunte não tivesse resposta e esse foi o motivo pelo qual ele continuou a beber. Naquele momento ele já se encontrava sozinho no recinto. Foi então que o que havia de mais inesperado aconteceu. Ela entrou pela porta e pediu para se sentar em sua mesa. Como ele, coitado, poderia dizer não? Era dificil até falar algo naquele momento, um pouco pela embriaguês, um pouco pelo que ela significava para ele. Não acreditando no que via ele a perguntou o que ela fazia naquele lugar e ela o respondeu que estava la por ele. Tudo soava cada vez mais surreal, mas a sua volúpia por amor era tanta, que não havia espaço para questionar o que ali acontecia. Começaram a conversar e ela lhe disse que sentia saudades e por isso o procurara e nesse momento ele desabou em um pranto tão sincero e emocionado quanto era possível. Ele havia reencontrado o tesouro que tanto lhe havia feito falta. Sentia uma alegria intensa, mas o inesperado ou quem sabe o mais esperado diante de toda essa loucura, aconteceu. O dono do bar o acorda batendo em seu ombro e pede para que ele pague sua conta e vá embora para que o bar possa ser fechado. E mais uma vez ele voltou para casa cambalhando e chorando como fazia todas as noites desde que ela o deixou...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Ninguém sabe, ninguém viu...

-E ai guri, blz?
-Blz e você?
-Mais ou menos né, depois do que rolou não tem como ficar tranquilo.
-Rolou o que?
-Você não ta sabendo?
-Sabendo do que?
-Vish, você não sabe mesmo?
-Ta loco meu irmão, do que você ta falando?
-Nada, nada deixa pra la...
-Como assim deixa pra la, pode ir falando...
-Falando o que?
-Como assim o que, o que ta rolando.
-Mas o que ta rolando?
-Você não ta sabendo?
-Sabendo do que?
-Vish, você não sabe mesmo?
-Ta loco meu irmão, do que você ta falando?
-Nada, nada deixa pra la...
-É talvez seja melhor.
-Abraço, até mais.
-Até.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Vagabunda

Calada da noite, me ponho a pensar despropositadamente a respeito das coisas da vida. Em voltas e mais voltas recursivas na minha mente me vem uma só palavra: Vagabunda. Não atribuo o predicado a ninguém, apenas penso. Estranho como essa palavra a priori não significa nada, o que quero dizer com isso é que é uma palavra que não tem um significado propriamente dito. Pense comigo, quando chamamos alguém de retardado temos claramente na mente que essa pessoa não é, ao pé da letra, uma retardada no que diz respeito a sua capacidade mental, apenas a chamamos assim com o intuito de ofende-la, muitas vezes brincando. Agora quando falamos vagabunda não pensamos em um significado verdadeiro apenas a chamamos pensando no sentido vulgar da palavra: mulher que não se da o valor, ou algo assim. Dessa forma tento achar um significado verdadeiro para vagabunda e em meios a rodeios em minha mente lembro de uma expressão muito usada: "Vaga memória". Essa sim tem um significado bem claro. Essa expressão relata uma lembrança da qual não temos muitas informações, ou seja, uma pequena lembrança. Bingo!!! Achei o que queria. Chego a conclusão que "Vaga bunda" era uma expressão que se usava, antigamente, quando o objetivo era ofender uma mulher falando que ela tinha uma bunda pequena. Já explico. Provavelmente antigamente, como o é hoje, uma bunda grande era um objeto de desejo dos homens e instintamente bunda pequena não era algo interessante. Sendo assim a palavra vagabunda era usada nesse sentido, xingar mulheres mesmo que elas não tivessem uma bunda pequena, assim como usamos a palavra retardado mesmo sabendo que o alvo do xingo não é um retardado de fato. Maravilha, agora já posso dormir.

ps: Antes que perguntem, a explicação não se aplica a palavra vagabundo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Uma vida sem sentido

Se debatia na cama, a angústia por sua existência vazia lhe consumia vorazmente. Sentiu vontade de gritar, mas nem disso se sentia digno. Quis pedir ajuda, mas pedir a quem? Ele morava sozinho e levava uma vida medíocre, Acordava seis da manhã, tomava uma banho e depois um café preto, sem açucar, gostava de sentir aquele gosto amargo que o preparava para enfrentar mais um dia amargo daquela vida sem sentido. Vestia-se como um homem de bem e se encaminhava a seu emprego com um ônibus cheio de pessoas que assim como ele expressavam em seus rostos o desgosto pela vida. Trabalhava em um escritório de contabilidade, não era nada mais do que um robô a fazer contas das 8 da manhã as 6 da tarde, desconte destas horas o tempo de almoço que lhe era servido na própria empresa. Saia do trabalho e passava rapidamente no bar do Seu João, onde tomava uma cerveja, um rabo de galo e repetia a mesma frase de sempre em dias que não eram o dia do pagamente: Coloca na conta seu João, dia 5 te pago. E cabis baixo ia pra casa. Há tempos ele não sabia o que era uma mulher, a última que teve em seus braços foi uma prostituta barata que o resto de seu salário do mês retrasado lhe permitiu pagar. E toda noite chorava por saber que sua existência não tinha sentido. Mas nessa noite algo estava diferente, sentia que não valia mais apena continuar. Cansado de se debater em sua cama decidiu acabar com tudo de uma vez por todas. Então pegou uma banqueta e aproximou-a do guarda roupa para que pudesse pegar uma velha caixa de sapato onde guardava um revolver calibre 22 que havia comprado certa vez, para casos de emergência. Mas enquanto subia na banqueta a mesma quebrou e ao cair a perna quebrada da banqueta lhe furou as entranhas em um golpe único e fatal. Antes de morrer ainda pensou: Sou incapaz de acabar comigo mesmo. Sou um merda. E dessa vez Seu joão, o dono do bar, não recebeu o que aquele pobre homem lhe devia por aquelas tristes doses de álcool que suavizavam sua existência.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

As aventuras do Capitão Mandragon e seus marujos na Ilha do Méééé

Lá iam eles navegando no Escarlate Ohara, nau mais veloz do velho oeste, sob os comandos do Capitão Giuseppe Mandragon. A tripulação do Escarlate Ohara era composta por 20 bravos marujos:

-Primeira Dama Mayara
-Barba Ruiva
-Vina Hoff...
-Seu Luis Doidão
-Ghandi Garoto
-Gilberto Rola Froxo
-Pocahontas Goiabinha
-Claudinha Furacão (também conhecida como Tiago) braço esquerdo do capitão
-Carlinhos Coringa
-Andréia Medusa
-Rafael do Mééééé
-Tetê Maluco
-Ilan Maromba
-Valeria, Sra. Maromba
-Sr. Fábio Barango
-Sra. Erika Baranga
-Danibinha
-Evy
-André amigo do Jd. das Américas
-Kaoana

Tudo parecia calmo naquele começo de noite até que o Capitão pede a atenção de todos e fala com seu espanhol de invejosa perfeição:

- Marujos!!! Preparem-se, pois esta noche teremos una grande batalha.

Todos os marujos olharam-se por alguns instantes e continuaram em silêncio, a não ser o inconsequente Marujo Gilberto que falou meio sem querer:

-Rola froooxooo batalhar esta noite!!
-Marujos -Continuou o Capitão - La batarra será en una ilha próxima.

E mais uma vez o Capitão foi interrompido, mas dessa vez pelo Marujo Rafael que perguntou:

-Na Ilha do Méééé?
-Si Marujo, en la ilha del mé. Pero Marujos, mal-pressentimientos me atormentan la mente. Sinto el sangue correr en my pescoço. Mas no tengan miedo, lutem bravamente como siempre lo fizieran.

Assim, Capitão Mandragon pediu para que avançassem com toda velocidade para a Ilha do mé e pegando sua garrafa de run se recolheu aos seus aposentos.
Barba Ruiva olhou para seus companheiros e falou:

- Nossa, eu preciso dormir...

E todos foram unânimes:

- É verdade, você está com uma cara péssima!!!

Já estava escuro quando o Escarlate Ohara alcançou as terras firmes da ilha do mé.

- Marujos la batarra se aproxima, bebam muito run, pois bêbados não sentiremos la dor dos ferimientos de la batarra.

Foi quando ao ver inimigos se aproximando ao longe Rafael do Mé gritou:

- Capitão vejo os inimigos chegando!!!
- Então - disse o Capitão- Tragam mi capa vermelha.
- Mas porque capitão???
- Pois assim confundirão lo sangue de meus ferimientos com la capa.
- Mas Capitão, eles são mais de 1000!!!
- Então tragam mi calça marrom.

Nesse instante ouviram o marujo Tetê falar em voz baixa.


-Ihhhh!!! O Capitão vai libertar o Mandela.

Os inimigos agora estavam próximos e a batalha era inevitável. O Capitão disse suas últimas palavras antes do grandioso confronto:

-Marujos, está és la noche mais preciosa de nuestras vidas. Estamos bêbados como nunca estivemos y iremos batarrar como jamás batalhamos. Senhores saquem sus espadas e matem até la suembra de nuestros inimigos. Hasta la vitória. AhhhhhhhhhhhhhHHHHH!!!!!!!!!!

Nesse momento Marujo Gilberto falou:

- Capitão não poderíamos bater uma lara antes da batalha? Comer uns mexiiiilhões com algas e alguns crustáceos????
- Eu quero um X-Caranguejo - Gritou Claudinha Furacão e começou a dormir.

Ao mesmo tempo tentando se acalmar e acalmar os marujos que estavam aflitos devido a quantidade de inimigos o Marujo Ilan sacou a viola e começou a cantar

“Diiizem que o seu coração, voa mais que avião.
Dizem que o seu amor, só tem gosto de fel.
Vai trair o marido, em plena lua de mel”

E assim correram para lutar contra os mais de mil inimigos. Em meio a corrida Barba Ruiva olhou para Pocahontas e disse:

- Oi moça, você tem goiaba na barriga?
- Porque? - ela perguntou
- Porque você parece um sonho!!!

A Primeira Dama Mayara nesse momento se indignou:

- Vai tomar no CUUUUU Barba Ruiva, seu mother fucker!!!!

E a luta começou. Vina e Pocahontas corriam e gritavam:

- Pra Frentiiiii!!!! Avantiiiii!!!!

Foi uma batalha sangrenta jamais vista nos livros de história. Depois de mais de 6 horas de combate encontravam-se os 1000 inimigos mortos e os tripulantes do Escarlate Ohara todos vivos e ainda bêbados. Vina Hoff... ainda batalhava com uma árvore em companhia da maruja Pocahontas e ambos cantavam:

- Quero parar mas não consigo... Quero parar mas não consigo... Quero parar mas não consigo...

Após vencerem a batalha, os piratas do Escarlate Ohara, descobriram um depósito inimigo recheado de comida, havia la muitos mexilhões, algas e crustáceos. Então Marujo Carlitos exclamou:

- Nunca mais passaremos fome!! Oh, Escarlate Ohara!!

FIM